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Círculo Vermelho

Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...

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27
Mai07

«Universo e o Pensamento» de Nadir Afonso

Laura Afonso
E=mc²
 
Sobre a descoberta de Roemer que se nos afigura de grande importância, nunca encontramos, além duma breve referência de Stephen Hawking[1] acima citada, qualquer comentário nem obtivemos o mínimo conhecimento. De qualquer modo Hawking, classificou a proeza de Roemer de notável; ter-se-ia apercebido da contradição que ressalta entre as conclusões de tal proeza e as afirmações generalizadas de que a velocidade da luz é constante qualquer que seja o referencial de inércia? Porque será que a ciência, reconhecendo os efeitos inerciais extensivos a todo o movimento dos corpos, se empenha com tanta veemência a abrir uma excepção logo que se trata de medir a velocidade das partículas de luz? Não haverá aqui uma acomodação científica que tem uma história tão longa como os enigmas da Relatividade Restrita?
         Dada a dificuldade, então encontrada no sentido de estabelecer um sistema de coordenadas referenciais, e dadas as limitadas velocidades dos corpos em relação ao movimento das partículas luminosas, a concepção relativista de Einstein seria, no seu princípio e até certo ponto, tolerável se ela se limitasse a predizer a constância da velocidade da luz. Mas não, tal aprendiz de feiticeiro a sua imaginação vai muito mais longe! Essa constante velocidade não só foi solução para resolver, nas partículas luminosas, o complicado problema referencial, como também, valeu de fundamento para estabelecer a relação directa entre energia e massa dos corpos: E = M C², em que C é a constante velocidade da luz; caso C permanecesse (aquilo que realmente é) incógnita variável a equação perdia toda a sua elegância e originalidade[2]; assim como, adiante veremos, serviu de trampolim para formular a inconcebível dilatação do tempo, e dai pela unificação deste com o espaço, chegar à curvatura tetradimensional do Universo. Aquela sua centelha original desencadeia na Física, com repercussões na Cosmologia, uma imparável transformação básica nas ideias e uma audaciosa concepção do Universo que numa perspectiva nossa, se afigura insustentável: ou o célebre professor, numa genial antevisão, procurou, que me seja permitida a expressão, com uma cajadada matar uma coelhada, ou então jovem de 26 anos, em face de tão complexo contexto histórico-científico, caiu na tentação de asseverar, sem prever as consequências, a constância da velocidade da luz. É forçoso concluir que partindo dum erro inicial os resultados (previstos ou imprevistos) não poderiam ter sido nem outros, nem menos incontroláveis. E é esta a razão porque nos detemos a mencionar factos relacionados com os estudos sobre a velocidade da luz.
Texto extraído do livro «Universo e o Pensamento» de Nadir Afonso
© Nadir Afonso


[1] - Uma Breve História do Tempo.
[2] - Devemos notar que Max Born não necessitou de se reportar a qualquer C para concluir que energia e massa não são mais do que dois nomes diferentes de uma mesma coisa.
06
Mai07

Da intuição artística ao raciocínio estético

Laura Afonso

Quatro temas que se conjugam, desenvolvem nos nossos três precedentes estudos e nos quais as teorias físicas da relatividade, as concepções filosóficas de idealistas e de materialistas e as teses biográficas sobre Van Gogh, são repostas em questão. Imodéstia minha? Sim. Sou português, transmontano e filho das Terras de Barroso. Aprendi de tradição a ser humilde, a louvar os mestres e a viver até aos oitenta anos na simplicidade que a minha inferior condição sempre me concedeu. Um balanço da minha existência e dos trabalhos a que me devotei ressoa-me subitamente absurdo… «Abandonaste o teu predestinado labor da terra» me repreende o demónio, «e a outras tarefas lançaste mão demasiado ambiciosa. De ti, tal ofício não passa de pretensão e petulância».

«E quanto mais procuraste mais a tua obra se torna incompatível com aquele recato ancestral da tua raça. Sistematicamente passaste de cavalo a burro e como qualquer quadrúpede em crise, lançaste de coice a encomendada albarda ao ar: que fique bem claro, a tua obra é uma criação original e os teus escritos os únicos que explicam ao mundo, o enigma da arte».

 

© Nadir Afonso - Da intuição artística ai raciocínio estético

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